“Gramáticas da Natureza”, 2025
instalação comissionada para a 14a. Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo – Arquiteturas para um mundo quente
apresentada entre 18/09/25 e 19/10/25 na OCA, no Parque do Ibirapuera.
Gramáticas da Natureza é uma instalação que reune inventários cartográficos que nasceram de nossos encontros profundos com a natureza (humana e mais que humana), e do desejo de dar expressão a esses encontros. Criar uma coleção pouco tem a ver com simplesmente dispor ou agrupar elementos, mas sim criar um campo de interação entre sujeito e objeto, um dispositivo através do qual é possível produzir subjetividades. Interagir com a ordem das coisas a partir de suas gramáticas é também aproximar o novo do conhecido – o que favorece a abertura de um campo seguro de relação, a partir do qual o sujeito pode se lançar à descoberta. Tudo para que sejam celebradas as existências mínimas.
“Perceber não é observar de fora um mundo estendido diante de si, pelo contrário, é entrar num ponto de vista, assim como simpatizamos. Percepção é participação.” (Lapoujade)
Assim, colecionar é duplo: o sujeito traz um tanto do mundo para si e outro tanto ele mesmo se desloca até os fenômenos que percebe. Um dispositivo é, para Foucault, “um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas”, e para Deleuze “máquinas que fazem ver e falar”.
Acreditando na potência dos inventários como dispositivos para criar pontes entre as pessoas e a natureza, convidamos o público a estabelecer suas próprias relações de afetabilidade. Conhecer para se reconhecer parte.
outubro 19, 2025